Hoje excepcionalmente não haverá a coluna Mulheres no Rock, o que já era de se esperar.
Eu tinha saído de casa ontem por volta das 18 horas e tudo estava no seu devido lugar. Quando voltei as 21 fui recebido com um soco no meu estômago: Michael Jackson havia morrido. É brincadeira né? Não. Não é.
Levou um tempo até eu me acostumar com a idéia que o grande astro do cinema Heath Ledger não estava mais aqui. Mais essa agora. Isso vai ser assunto daqui até o fim do ano, mas tem que ser falado mesmo. Pode-se dizer com segurança que é a morte mais sentida na história da música desde John Lennon. Desde Elvis. Muita gente só estava interessada nas piadinhas geradas pelas excentricidades do astro, cirurgias, descoloração de pele e bebês pendurados em janelas. Mas não reconhecer-lhe o talento musical beira a mediocridade.
Mesmo pra quem, ASSIM COMO EU, acredita que boas vendagens não fazem um bom artista, 750 milhões de discos vendidos é um número a ser respeitado. Ninguém jamais vai superar essa marca. Hoje a música virou um arquivo que só paga quem quer.
Michael Jackson estava longe do sucesso que tinha até o início dos anos 90, estava “em baixa”. Mas o que é “em baixa” pra um gigante como esse seria o topo pra esses grandes astros da musica de hoje, apoiados em participações especiais de outros artistas em suas músicas e videoclipes-propaganda-de-celular.
Teve uma época, na primeira metade dos anos 90 em que eu não achava legal um “roqueiro” gostar de Michael Jackson. Com o passar do tempo fui mandando os rótulos pro inferno e então começaram a aparecer vídeos de Michael Jackson pra eu assistir, shows, clipes. E eu entendi que aquilo era muito bom (como se fosse difícil deduzir isso). Alguns riram de mim sempre que eu falava que a musica dele era genial, mas tudo bem, eles curtem Pink Floyd.
Fred Astaire o descreveu como “o melhor dançarino do mundo”.
Ele tinha sim suas idiossincrasias, uma preocupação excessiva com a aparência que só levou a cirurgias que tornaram aspecto físico estranho, escândalos envolvendo famílias que mandavam seus filhos para Neverland já visando um futuro processo milionário, mas isso pouco mudou o gosto dos fãs pelo seu trabalho. Infelizmente, afetou muito sua produção. E suas finanças.
O que facilita na hora de falar sobre uma personalidade dessas é que tem poucas coisas que a maioria das pessoas já não saiba. O que entristece é saber que muita calunia foi inventada, e outras tantas foram frutos da confusão mental que esse lugar debaixo dos holofotes causa e da difamação sofrida. É um dos poucos artistas que teve o devido reconhecimento pelo trabalho, mas também foi um dos mais caçoados.
É claro que uma pessoa dessas tem muita grana e pode ter uma vida que a maioria de nós jamais terá. Mas também é evidente o que esse mundo ilusório do showbizz e da bajulação faz com um sujeito. Alguns como Paul McCartney e Bonno Vox parecem ter se saído bem em meio ao fogo cruzado. Outros como Rihanna e Britney Spears, nem tanto. O que dizer então de alguém que foi jogado nesse mundo já aos 5 anos idade? Eu acho que ele se saiu muito bem, dadas as circunstâncias.
Eu confesso que eu não imaginava Michael Jackson sexagenário, chegando até os sessenta e poucos anos, com a vida atribulada que ele tinha, tratamentos, cirurgias, físico frágil... Mas ele parecia estar numa boa. Exames feitos semana passada atestavam isso. Ele não parecia ser do tipo de gente que morre. No fim se mostrou tão humano quanto qualquer um de nós. Não dizem que “ninguém é normal, se olhar bem de perto” ?
Eu torcia pra que o astro recuperasse a velha forma dos bons tempos. A verdade é que em momento algum ele deixou de lotar estádios e esgotar ingressos. O relançamento comemorativo do aniversário do álbum Thriller vendeu muito bem em 2008. O que faltava eram hits arrasadores como os dos anos 80, que ainda soam modernos e são o grande motivo de tamanho sucesso até hoje. Um disco novo estava sendo preparado com lançamento previsto pro segundo semestre desse ano com produtores como Will.I.AM, Akon e T-Pain. O mestre pegando energia nova dos discípulos.
Uma série de 50 shows também estava marcada pra acontecer em Londres, na O2 Arena, a partir de 13 julho. Esses shows não iam resolver todos os problemas financeiros de Michael, mas com certeza seriam muito bons e dariam um pouco mais de fôlego ao seu bolso . Quem teve o privilégio de ver um show desse cara ao vivo, viu. Quem, assim como eu, não teve essa sorte, também agora não terá mais.
Que você tenha toda a paz que não pode ter em vida Michael.
Michael Jackson na Wikipédia
http://pt.wikipedia.org/wiki/Michael_Jackson
Postado por meu grande amigo Jim Thunders no Blog Cigana do Rock, o Blog Alternativo. Tá ai o link pra quem quizer acessar… vale a pena tem muita coisa legal lá.
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