A DEUSA:
A Mãe Primordial, que teria criado tudo e todos, até seu próprio complemento masculino, está na base filosófica e fundamental de todas as mitologias e Religiões Antigas.
Na compreensão humana primitiva a Mãe precedeu o nascimento do Pai. Percebemos isto em todos os mitos sagrados anteriores ao patriarcado e quanto mais antigos são estes mitos, mais isso se confirma.
o Culto à Deusa remonta a Era de Touro(4000 a.C. à 2000 a.C.), época em que o respeito ao feminino e ao culto aos mistérios da vida e procriação estavam em seu apogeu. Na Era de Touro o culto a Deusa teve seu apogeu, porém ele é muito mais antigo e suas origens são muito mais remotas, pois pesquisas realizadas recentemente por arqueólogos norte-americanos apontam que o culto matriarcal e à Deusa datam de mais ou menos 500.000 a.C.. Isto foi comprovado através de testes feitos com o carbono 14 em alguns objetos ritualísticos com desenhos de Deusas encontrados em sítios arqueológicos, que constatam suas origens no Paleolítico Inferior.
No final da Idade de Bronze (5000 à 2000 a.C.) também encontramos muitos indícios de culto à Deusa Mãe. Descobertas feitas por toda Europa, África, Escandinávia e diversas outras localidade, comprovam isso. Inúmeras estatuetas femininas esculpidas em marfim, barro, argila e pedra representando mulheres com seios e ventres grandes (Vênus de Willendorf) foram descobertas nas proximidades de lugares sagrados e sepulturas, o que simboliza algo respeitável e religioso.
Nas Eras que antecederam a agricultura, quando os homens viviam da caça e pesca, as mulheres eram a base do lar, das artes, arquitetura e também eram as transmissoras da cultura ancestral e religiosas. Enquanto os homens saiam para caçar, as mulheres realizavam os ritos sagrados para que a caça fosse bem sucedida e para que eles pudessem retornar em segurança. Elas eram as Grandes Sacerdotisas, Xamãs, curandeiras, parteiras e mantenedoras dos ritos e mistérios religiosos da Tribo. Homens e crianças dependiam de seus cuidados e conhecimentos, por isso eram veneradas e reconhecidas como Guardiãs dos Mistérios da Vida.
Mais tarde quando os povos indo-europeus se converteram em tribos conquistadoras e guerreiras e se expandiram em busca de melhores temperaturas, o culto ao Deus (O Sol) suplantou o culto à Deusa. Pouco a pouco instaurou-se o culto ao Sol com a chegada da Era de Áries (2000 a 0 a.C.) e nasceu assim o patriarcalismo. Até o início da Era de Peixes, Deusa e Deus eram cultuados juntos e seus cultos eram interligados, tolerantes entre si e estavam em perfeito equilíbrio.
A partir de 330 d.C. (quando o Catolicismo foi estabelecido como Religião Oficial) o culto à Deusa começou a declinar e aos poucos o Cristianismo foi irrompendo toda Europa e se converteu como a Religião da moda de Reis e Rainhas. Porém as pessoas comuns, os servos e servas, jamais abandonaram a Religião Antiga. O povo do campo ou os pagãos (paganus= povo do campo), devido ao seu contato direto com a natureza seguiram fiéis ao Paganismo e foi através deles que a Bruxaria passou de geração em geração e chegou até nós na atualidade .
Das origens primitivas do neolítico e paleolítico surgiram todas as formas de magia e Religião, inclusive e principalmente a Wicca.
O DEUS CORNÍFERO:
O Deus Cornífero é o Deus fálico da fertilidade. Geralmente é representado como um homem de barba com casco e chifres de bode. Ele é o guardião das entradas e do circulo mágico que é traçado para o ritual começar. É o Deus pagão dos bosques, o rei do carvalho e senhor das matas. É o Deus que morre e sempre renasce. Seus ciclos de morte e vida representam nossa própria existência.
Ele nasce da Deusa, como seu complemento e carrega os atributos da fertilidade, alegria, coragem e otimismo. Ele é a força do Sol e da mesma forma , nasce e morre todos os dias, ensinando aos homens os segredos da morte e da renascimento.
Segundo os Mitos pagãos o Deus nasceu da Deusa, cresceu e se apaixonou por Ela. Ao fazerem amor a Deusa engravida e quando chega o inverno o Deus Cornífero morre e renasce quando a Deusa dá a luz. Este Mito contém em sí os próprios ciclos da natureza onde no Verão o Deus é tido como forte e vigoroso, no outono ele envelhece, morre no inverno e renasce novamente na primavera.
Para a maioria pode aparentar meio incestuoso, quando afirma-se que o Cornífero seja filho e consorte da Deusa, mas isto era extremamente comum aos povos primitivos onde os indíviduos se casavam entre os próprios familiares para conservar a pureza da raça. Além disso simbolismo do Mito deve ser observado, pois todas as coisas vieram do ventre da Grande Mãe inclusive o próprio Deus e por isso para Ela Ele deve voltar.
O culto aos Deus Cornífero surgiu entre os povos que dependiam da caça, por isso Ele sempre foi considerado o Deus dos animais e da fertilidade, e ornado com chifres, pois os chifres sempre representaram a fertilidade, vitalidade e a ligação com as energias do Cosmos. Além disso a Bruxaria surgiu entre os povos da Europa, onde os cervos se procriam com extremada abundância, por isso eram frequentemente caçados, pois eram uma das principais fontes de alimentação.
Com a crescimento do Cristianismo e com a intensão do Clero em derrubar Bruxaria, a figura atribuída ao Deus Cornífero acabou por personificar o Diabo e na atualidade resgatar o status deste importante Deus torna-se bastante difícil.
O Deus Cornífero representa a luz e a escuridão, a imortalidade e a morte, a interrupção a continuidade. Cernunos, como também é chamado, simboliza a força da vida e da morte. É o amante e filho da Deusa, o senhor dos cães selvagens e dos animais. É ele que desperta-nos para a vida depois da morte. Representa o Sol, eternamente em busca da Lua. Seus chifres na realidade representam as meias-luas, a honraria e a vitalidade e não uma ligação com o Diabo.
Ainda hoje existe muito confusão a cerca da Bruxaria e isto se deve a Igreja Medieval que transformou os Bruxos antigos em Feiticeiros do Demônio, por conveniência.
O culto à Deusa Mãe e aos Deus Conífero é pré-cristão, surgiu milênios antes do catolicismo e do conceito de Demônio, o qual jamais foi adorado, invocado, cultuado e reverenciado nas práticas pagãs ou como deidade da Bruxaria.
A Arte Wiccaniana remonta os homens das cavernas e para entendermos o porque uma divindade com chifres foi reverenciada pelos Bruxos de antigamente e é reverenciada até hoje pelos Bruxos modernos temos que pensar como nossos antepassados.
Os chifres sempre foram tidos como símbolo de honra e respeito entre os povos do neolítico. Os chifres exprimem a força e a agressividade do touro, do cervo, do búfalo e de todos animais portadores dos mesmos. Entre os povos do período glacial uma divindade era representada com chifres para demonstrar claramente o poder da divindade que o possuía.
Quando o homem saia em busca de caça, ao retornar à sua tribo colocava os chifres do animal capturado sobre a sua cabeça, com a finalidade de demonstrar a todos da comunidade que ele vencera os obstáculos. Graças a ele todo clã seria nutrido, ele era o “Rei”. O capacete com chifres acabou por se tornar em uma coroa real estilizada.
Muitos Deuses antigos como Baco, Pã, Dionísio e Quíron foram representados com chifres. Até mesmo Moisés foi homenageado com chifres pelos seus seguidores, em sinal de respeito aos seus feitos e favores divinos.
Os chifres sempre foram representações da luz, sabedoria e conhecimento entre os povos antigos. Portanto como podemos perceber, os chifres desde tempos imemoráveis foram considerados símbolos de realeza, divindade, fartura e não símbolo do mal como muitos associaram e ainda associam-nos.
O Deus Cornífero é então o mais alto símbolo de realeza, prosperidade, divindade, luz sabedoria e fartura. É o poder que fertiliza todas as coisas existentes na terra.
A Grande Mãe e o Deus Cornífero representam juntos as forças vitais do Universo.
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